Quando o recurso jurídico começa a emagrecer, entra em campo o recurso celestial. Preso há mais de um mês em Minas Gerais, o empresário Henrique Vorcaro resolveu mirar mais alto — literalmente. Em carta ao ministro André Mendonça, trocou o juridiquês pelo evangeliquês e apresentou sua defesa em linguagem de culto dominical.
“Faço parte do Reino de Deus, não de máfia”, escreveu. Uma tese ousada: substituir o habeas corpus pelo “amém” e torcer para que a fé faça o que os advogados ainda não conseguiram.
Pai do banqueiro Daniel Vorcaro e membro da Igreja Batista da Lagoinha, Henrique fez questão de reforçar que nunca foi “bandido, desonesto ou integrante de turma nenhuma”. A ressalva vem em boa hora, já que, segundo a Polícia Federal, a tal “Turma” continuou recebendo apoio financeiro mesmo depois da prisão do filho — detalhe que ajudou a colocá-lo atrás das grades.
A estratégia parece clara: convencer o ministro de que o caso não é de polícia, mas de consciência. Afinal, entre um despacho e outro, sempre existe a esperança de que um versículo pese mais que um inquérito.
Resta saber se, no Supremo, a porta estreita também serve como saída da penitenciária. (SP)